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Um belo exemplo

em outubro 16, 2013

O professor universitário Egydio Pilotto Neto, de São José dos Campos (SP), tem na sala de aula uma ‘terapia’ para superar o Mal de Parkinson, descoberto há 13 anos, quase metade do tempo em que assumiu a carreira. Com 75 anos, Pilotto iniciou as atividades lecionando engenharia, mas atualmente ministra aulas de filosofia em uma universidade particular da cidade.
Formado em engenharia pela Academia das Agulhas Negras, de Resende (RJ), na década de 1970, Egydio tem um vasto currículo. Ele é pós graduado pela Universidade de São Paulo (USP), já foi vereador, diretor de obras de São José dos Campos, calculou a base da torre de lançamento do Veículo Lançador de Satélites (VLS) em Alcântara (MA), presta consultoria em cálculo estrutural para empresas e em 2013 termina outra pós graduação à distância. “A lógica humana sugere que as maiores riquezas da vida são a saúde e a sabedoria. Se nos falta a saúde, torna-se necessário aumentar a sabedoria para compensar e continuar vivendo, porque a vida é eterna enquanto dura”, disse o professor.
Egydio Pilloto deixou a carreira militar para lecionar nas universidades. “Eu saí da vida militar, pois um dia eu pensei que estava treinando homens para a guerra e eu não quero a guerra, eu quero a vida. Muitas pessoas ainda não entendem, mas eu sou satisfeito com o que eu faço”, disse.
Eu sou um portador, mas não um doente. A sala de aula é uma das maneiras para a minha cura”

Em 2000, ele recebeu um diagnóstico da doença em estágio inicial. O professor conta que a princípio não sabia o que fazer, mas foi uma questão de tempo para escolher o melhor caminho. “Quando eu descobri que era portador de Mal de Parkinson, o mundo caiu em cima de mim. Como um engenheiro, eu tinha três soluções: fazer de conta que eu não tinha Parkinson, reagir e fazer da doença algo suportável ou assumir e cair em uma cama. Eu escolhi a segunda opção”, relatou Pilloto ao G1.
Para o professor, os alunos são uma das forças que fazem com que ele permaneça dando aula e vencendo a doença. De acordo com Egydio, ele é um portador da doença mas não se considera um doente. “Uma turma de primeiro ano que ainda não sou professor, pediu para eu ministrar um dia na sala deles. Isso é uma satisfação tremenda, que substitui qualquer dopamina. Eu sou um portador, mas não um doente. A sala de aula, é uma das maneiras para a minha cura”, disse Egydio.

O convite para ministrar aulas de filosofia, chegou quando ele estava contando os dias para se aposentar e no momento em que entendeu que era necessário, pensar mais na vida. “Eu estava quase me aposentando, quando surgiu um convite para cobrir um professor durante um semestre e agora são oito anos dando aula”, relatou o professor universitário.

Família na educação
Pertencente a uma família de professores, Egydio é casado há 50 anos e pai de três filhos. Apaixonado por conhecimento, Pilloto conta que o único ciúme que a esposa tem dele é de sua relação com os livros. “Minha esposa disse que o único ciúme que ela sente de mim é com os livros. Não posso entrar em uma livraria, que eu saio com um livro. Ele é o melhor professor que existe. Ele não cobra nada, não faz prova e te ensina muito”, afirmou.

Como sucessora da profissão de Egydio, a filha, Simone Pilotto, de 40 anos, se espelha no pai para formar novos profissionais da área. “Ele é o meu exemplo. Quando ele corrigia as provas ou preparava as aulas, eu estava perto dele e isso foi também um fator para eu escolher essa carreira”, relatou Simone.
Segundo o professor de filosofia, o segredo para continuar dando aulas e ser feliz é fazer o que gosta. “Meus alunos são minha bateria. A dica é: sinta-se feliz com aquilo que você faz e você vai fazer tudo muito bem feito”, finalizou.

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